terça-feira, 3 de junho de 2008

Nem sei o que dizer...


Perdi o sono. Mais uma vez.
Isso acontece comigo com certa freqüência.
Algo perturba meu sono, eu acordo, percebo que estou com sede, levanto, bebo água, não durmo mais.

Péssimo.

Mas eu tentei fazer diferente essa noite; fiquei na cama pensando. E não deu certo.

Lembrei do traficante que eu vi no jornal. O cara tinha, dentro da cela do lugar onde está preso, duas pistolas, uma geladeira abarrotada, algum luxo e R$228.000,00.

Não, não tem zero demais aí. Duzentos e vinte e oito mil reais!
E ninguém viu, não é incrível?! Nos dois sentidos da palavra!

Incrível: adjetivo de dois gêneros e substantivo masculino; aquilo que não é crível, não se pode acreditar; fora do comum, ridículo, extravagante, excêntrico, singular, incompreensível (Houaiss).

Depois de tanto dólar na cueca e tantas outras coisas que ninguém sabe, ninguém viu, isso conseguiu me chocar! Minha reação foi rir...

Eu não tenho nada perto dessa grana. Mas fiquei pensando: e se tivesse?

1. Se tivesse, eu teria entrado naquele grupo de pesquisa, apesar do meu sobrenome, mesmo se fosse natural de uma tribo indígena da nascente do Rio Amazonas, e teria feito aquele doutorado.

2. Se tivesse teria processado aquelas pessoas, feito uma longa viagem pra desestressar e voltado linda e loura pra continuar a vida normalmente.

3. Se tivesse, talvez decidisse por continuar lá, podendo vir aqui uma vez por semana, nem que fosse só até o dinheiro acabar.

4. Se tivesse, teria um filho daqui a nove meses, com garantia de que ele/ela teria saúde, educação e segurança até ser dono(a) do próprio nariz, pelo menos.

Mas eu não tenho. E sabe por que?
Porque eu não sou traficante! Eu ouvi meu pai me dizer o que é bom e tô na lida, como a maioria de vocês. Eu optei por estudar e tentar sobreviver da maneira convencional: trabalhando. E sou obrigada a concordar com a minha mãe, que me disse hoje que a gente nunca ganha o quanto merece, ganha bem menos do que precisa, e menos ainda do que gostaria de ganhar.

Quem cresceu em Belém e ia às sessões do Cine Olímpia conhece bem como era o antigo funcionamento daquela loja famosa lá do lado. Todo sortimento de bala exposto e ao alcance das mãos. E sempre tinha um adulto descerebrado pra nos incentivar a sair da loja com os bolsos cheios de balinha... e do dinheiro que deveria ter sido usado pra pagá-las. O discurso era o seguinte: se eles (a loja) não quisessem que as pessoas pegassem, não deixariam exposto daquela maneira.

Será mesmo que deveria ser assim?

Eu tenho o orgulho de dizer que NUNCA, jamais, em tempo algum, saí daquela loja com uma balinha sequer no bolso que não tenha sido paga. Porque eu sabia, desde muito pequena, que aquilo não estava certo... Graças aos meus pais.

Eu fico imaginando quantas vezes as pessoas que roubavam balinha antes da sessão de cinema reproduziram isso de forma generalizada, seguindo a lógica do "todo mundo faz".
E quantas serão elas? Porque se forem a maioria...

O "dado concreto" é que eu não tenho essa grana.
E provavelmente você também não...

Vou dormir de novo!

Até.

2 comentários:

Vivi disse...

É... eu diria que a gente é pobre, mas é limpinha! E eu, sinceramente, prefiro assim!
Dignidade não acaba... dinheiro sim!
Beijos

Beth disse...

É... Nossa pobreza, né??? Mas como dizem por aí, "A esperança é a última que morre"... Se bem que com dinheiro o enterro dela pode ser bem mais interessante... hehehehehe