segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Eu shamuzo, tu shamuzas, ele shamuza


Comecei a ler um livro que o Paulo comprou: "O que a baleia Shamu me ensinou sobre vida, amor e casamento - Lições dos animais e seus treinadores para todos nós", de Amy Sutherland, Editora Best Seller, 204 páginas, R$19,90 (aqui em Belém).

Não consigo mais parar!!!


Não quero assustar ninguém dizendo que é um excelente manual de análise do comportamento para leigos e - diga-se de passagem - para analistas do comportamento que muitas vezes esquecem sob que princípios o mundo (e todo mundo) funciona. Pra mim tá sendo excelente!

Mesmo lendo esse post, comprem o livro, porque é muito bom! Muito mesmo!

Agora estou tentando deixar de lado algo que é uma prática freqüente minha: o antropomorfismo. E eu não estou me referindo apenas a animais não-humanos. Definindo operacionalmente, resolvi seguir o conselho da Amy e aderir ao exercício de encarar comportamento apenas como comportamento, sem atribuir a eles nenhum status especial. Sabe aquele papo de organismo, interação, ambiente e tals? Muito mais simples, né?

Mais simples que achar que tudo diz respeito a mim e que eu tenho responsabilidade e controle sobre as coisas. Nada pessoal.

Também decidi preparar todos os animais à minha volta para o sucesso. Achar o momento certo pra aplicar as técnicas do treinamento progressivo e garantir, assim, o mínimo sucesso. O bom é poder fazer isso na prática e ver o meu próprio progresso (ainda tímido) ao pensar como treinadora de animais.

Nada mais de ironia, implicância, irritação; é aí que quero chegar! Estou no primeiro passo da tarefa e, mesmo que seja difícil adotá-la, enquanto a leitura está fresquinha tem sido divertido e prazeroso. O que significa que o treinamento de mim mesma tem muitas chances de ser bem-sucedido.

Hoje, por exemplo, vendo o Paulo produzir um pôster super bacana pra Semana Científica do lab, sentado por um tempão na frente do notebook, com o pescoço totalmente curvado pra baixo, na direção da tela do computador, fazendo uma curva absurda na coluna, provavelmente adquirindo várias inflamaçõezinhas, cultivando o que mais tarde vai ser uma bela dor nas costas e a companheira dor de cabeça. Obviamente que tentar prevení-lo do resultado é minha obrigação, porque eu o amo, mas depois de várias tentativas eu compreendi que naquele momento, tudo o que interessava a ele era concluir aquele trabalho. Naquele momento ele não estava preparado para o sucesso.

Uma das tarefas mais bacanas sugeridas no livro é conhecer as espécies com as quais lidamos no dia-a-dia e a Amy fala tanto do próprio marido como uma espécie que é impossível não fazer relações semelhantes. O Paulo deve fazer parte de uma espécie em extinção...

A Amy conta que quando ela abraçou um golfinho, descobriu que para eles - os golfinhos - aquilo era apenas mais uma tarefa aprendida. Não tem nada de carinho, nem de relação especial com os seres humanos, é apenas mais um caminho até as sardinhas. Mesmo assim, ela riu como idiota curtindo sua "experiência única na vida". Quando eu vi uma girafa pela primeira vez, me emocionei. Até chorei, com o carão da girafa bem pertinho da minha cara, mascando aqueles folhas - a girafa, não eu - me olhando meio de lado. Grande coisa pra girafa. Quantos humanos não passam por ela todos os dias no zoológico de São Paulo???

Mas a minha espécie é assim: emotiva, preocupada, gosta de preparar surpresas e dar presentes, gosta de beijar na boca, andar de mãos dadas, ganhar flores roubadas, inclinada a arroubos de paixão, às vezes à tristeza profunda, deseja que os dígitos da conta bancária se multipliquem magicamente, deseja perpetuar a espécie e fantasia sobre isso, quer ser gostada, cultiva amigos e família etc, etc,etc...

Lendo sobre a experiência da Amy com o golfinho foi inevitável vir dar uma olhadinha no Paulo, enquanto ele trabalhava. E eu olhei com a cara de bocó característica da minha espécie ao olhar para o animal amado. Tive vontade de dizer a ele, naquele momento, o que eu escrevo agora: não importa se nós somos o golfinho e a humana; cada vez que ele "cumpre o protocolo" pra ganhar a sardinha dele mais tarde, eu me sinto como uma "igiota", curtindo o meu momento único. Me sinto feliz.

Ele já conhece direitinho o animal com o qual está casado e sabe perfeitamente como me treinar! Ele me shamuza direitinho!!!

Claro que com os demais animais com os quais lido, pretendo adotar todas essas práticas também, mas sem esquecer nunca de uma regra de ouro: tudo que tem boca morde!
Pra bom entende dor, mei palavra basta.

Leiam o livro e vejam como é legal e possível pensar como treinadores de animais em todos os momentos da vida.

Acho que vou mandar fazer uma camiseta: Descubra o poder de shamuzar!
Hehehehehehehe...

Um comentário:

Mi Malcher disse...

Puxa, Mi!
Legal o post!
Dessa vez foi impossível resistir. Vou comprar o meu...
Uma baleia-voadora às vezes pode ser complicada... rsrsrsrs